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Capcom já prepara o futuro dos remakes de Resident Evil — e ele pode se encontrar com os jogos atuais

A Capcom já sabe que existe um limite para a quantidade de jogos antigos de Resident Evil que pode transformar em remakes. Mas, ao que tudo indica, a empresa não pretende simplesmente encerrar essa linha quando chegar aos títulos mais recentes.

Jun Takeuchi, produtor executivo da franquia, revelou que a Capcom já trabalha pensando no momento em que os remakes alcançarão a mesma época dos jogos numerados atuais. Segundo ele, essa possibilidade vem sendo preparada gradualmente desde Resident Evil Village.

A declaração foi publicada no material comemorativo dos 30 anos de Biohazard, lançado recentemente no Japão. Takeuchi explicou que a franquia atualmente funciona em duas frentes: uma delas avança a história com novos jogos, enquanto a outra revisita acontecimentos do passado por meio dos remakes.

Duas linhas que estão caminhando para se encontrar

A estratégia da Capcom ficou bastante evidente nos últimos anos.

De um lado, a empresa lançou Resident Evil 7, Resident Evil Village e, em 2026, Resident Evil Requiem, dando continuidade à narrativa da série. Do outro, os remakes de Resident Evil 2, Resident Evil 3 e Resident Evil 4 reconstruíram capítulos antigos utilizando tecnologias e conceitos modernos.

Agora, a diferença entre essas duas linhas começa a diminuir.

O próximo passo oficialmente anunciado é Resident Evil Code: Veronica, que receberá uma nova versão em 2027. A Capcom também já demonstrou interesse em manter uma frequência anual de lançamentos da franquia, utilizando remakes para complementar os novos capítulos.

E é justamente aí que surge a questão: o que acontece quando não houver mais jogos antigos suficientes para refazer?

A Capcom chama isso de “crossover”

Takeuchi afirma que a empresa já pensa nessa situação.

Segundo o produtor, a série de remakes eventualmente chegará à época dos jogos numerados mais recentes. A Capcom, portanto, já estaria preparando uma espécie de “crossover” entre essas duas linhas.

O curioso é que alguns elementos dos jogos recentes aparentemente já fazem parte dessa preparação.

Takeuchi citou especificamente o retorno de nomes importantes como Umbrella e Spencer, além da volta de Raccoon City em Resident Evil Requiem. Para ele, essas referências não estão ali apenas por nostalgia.

A ideia começou a ser trabalhada por volta de Resident Evil Village e foi sendo ampliada nos jogos seguintes.

Resident Evil 7 foi um ponto de virada

Takeuchi também destacou Resident Evil 7 como um momento importante para essa estratégia.

Segundo o produtor, foi durante o desenvolvimento de Resident Evil 7 que a equipe começou a trabalhar nesse tipo de conexão entre o passado e o futuro da franquia.

Inicialmente, algumas dessas referências foram inseridas como uma forma de fan service. A reação dos jogadores, porém, teria sido maior do que a equipe esperava.

Os fãs passaram a analisar essas referências e procurar significados nas decisões narrativas da Capcom. Diante dessa resposta, a empresa decidiu levar a ideia adiante em Village e, posteriormente, em Requiem.

Isso ajuda a explicar por que jogos recentes da franquia passaram a recuperar elementos diretamente associados às fases anteriores de Resident Evil.

O que isso significa para Resident Evil 5 e 6?

Aqui é importante separar o que foi dito oficialmente daquilo que pode ser interpretado a partir da declaração.

Takeuchi não anunciou Resident Evil 5 Remake nem Resident Evil 6 Remake.

Entretanto, considerando que a linha de remakes já passou por Resident Evil 2, 3 e 4, e que Code: Veronica está confirmado, outros jogos antigos continuam sendo candidatos naturais caso a Capcom realmente queira levar essa estratégia até a era dos títulos numerados mais recentes.

Também existem relatos sobre possíveis remakes de Resident Evil 0 e do primeiro Resident Evil, mas esses projetos não foram apresentados pela Capcom como anúncios oficiais nos materiais consultados.

Por isso, ainda não é possível afirmar que Resident Evil 5 ou Resident Evil 6 receberão versões refeitas.

O que Takeuchi confirmou é algo diferente — e talvez mais interessante para o futuro da franquia: a Capcom já está pensando no momento em que o passado reconstruído pelos remakes finalmente alcançará o presente da série.

Requiem pode ser uma das primeiras peças desse plano

Resident Evil Requiem chegou em fevereiro de 2026 como o nono capítulo principal da franquia e trouxe novamente Raccoon City para a história. O jogo também recuperou Leon S. Kennedy, um dos personagens mais importantes da fase clássica da série.

A própria Capcom confirmou que Requiem ultrapassou 6 milhões de unidades vendidas mundialmente, tornando-se o jogo da franquia a atingir essa marca mais rapidamente.

Com isso, o comentário de Takeuchi coloca algumas decisões de Requiem sob uma perspectiva diferente.

Elementos que poderiam parecer apenas referências à história antiga podem também estar ajudando a construir uma ponte entre as duas fases da franquia.

A Capcom não explicou como esse eventual “crossover” funcionará, nem quando ele poderá acontecer. Mas a mensagem de Takeuchi deixa claro que a possibilidade já faz parte do planejamento interno da série.

E considerando que Resident Evil completou 30 anos em 2026, a franquia agora começa a caminhar para uma situação curiosa: os jogos que antes eram considerados passado podem, eventualmente, alcançar o presente — e as duas versões da história podem acabar seguindo juntas.

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